Opinião de um especialista (Dr Teng Chei Tung)
O transtorno bipolar do humor (TBH) é uma
doença complexa, com múltiplas funções psíquicas e físicas que ficam
instáveis, prejudicando os pacientes e suas famílias tanto nos aspectos
de saúde, como na adaptação profissional e social, podendo até matar por
suicídio, acidentes e má saúde geral. Não é representado apenas por
mudanças de humor, como alegrias e tristezas exageradas, afetam também o
ritmo biológico (sono), o metabolismo (mudanças no apetite), a energia
física (cansaço ou hiperatividade), ou mesmo a capacidade de pensar.
Entretanto, uma das características mais comuns do TBH e que causam os
maiores prejuízos é a impulsividade, na forma de atitudes impensadas e
comportamentos descontrolados, muitas vezes relacionadas com prazer,
como comida, compras, sexo e drogas.
Os pacientes não conseguem se controlar,
portanto não têm culpa de serem impulsivos, a culpa é da doença, mas as
conseqüências são terríveis, desde a vergonha de ser promíscuo
sexualmente e pegar uma doença, ou de ser compulsivo por comida ou
compras, ou na pior das situações, entrar nos vícios das drogas como o
álcool, maconha, cocaína e outros. O curioso é que a impulsividade varia
de paciente para paciente, alguns tem excessos em tudo, outros em
apenas uma esfera (por exemplo, só se descontrolam nas compras). O
descontrole na sexualidade não é tão comum, e nem sempre o excesso de
sexualidade se traduz em promiscuidade, alguns pacientes ou se masturbam
com freqüência, ou procuram pornografia, ou procuram o seu parceiro
várias vezes ao dia. Os excessos sexuais e os excessos nas compras
geralmente melhoram bem e rápido com as medicações, o mesmo não
ocorrendo com as drogas e o álcool. Por serem drogas, eles acabam
criando um segundo problema, a dependência, que precisará de um
tratamento específico e mais complicado. Cerca de 60% dos pacientes
bipolares passam por problemas com drogas.
E o que os familiares, amigos e colegas
costumam fazer diante de um paciente impulsivo? Aconselhar, o que quase
sempre não dá certo, e depois criticar, como se a falta de controle
fosse uma responsabilidade do paciente. Neste caso, o mais importante
seria tentar ajudar o paciente a aceitar ajuda profissional adequada,
desmistificando a doença mental como algo vergonhoso e estigmatizante, e
ajudá-lo a continuar no tratamento, que é muito difícil e longo, com
muitas tentativas, trocas de medicações e recaídas. Um ponto
importantíssimo em relação ao tratamento: as medicações são a forma mais
poderosa, eficaz e segura de controlar o TBH. Tratamentos alternativos e
religiosidade podem ajudar, mas nunca substituem um tratamento
cientificamente comprovado.
