terça-feira, 26 de novembro de 2013

Bipolar: bebidas, drogas e sexo irresponsável









Opinião de um especialista (Dr Teng Chei Tung)

 

O transtorno bipolar do humor (TBH) é uma doença complexa, com múltiplas funções psíquicas e físicas que ficam instáveis, prejudicando os pacientes e suas famílias tanto nos aspectos de saúde, como na adaptação profissional e social, podendo até matar por suicídio, acidentes e má saúde geral. Não é representado apenas por mudanças de humor, como alegrias e tristezas exageradas, afetam também o ritmo biológico (sono), o metabolismo (mudanças no apetite), a energia física (cansaço ou hiperatividade), ou mesmo a capacidade de pensar. Entretanto, uma das características mais comuns do TBH e que causam os maiores prejuízos é a impulsividade, na forma de atitudes impensadas e comportamentos descontrolados, muitas vezes relacionadas com prazer, como comida, compras, sexo e drogas.


Os pacientes não conseguem se controlar, portanto não têm culpa de serem impulsivos, a culpa é da doença, mas as conseqüências são terríveis, desde a vergonha de ser promíscuo sexualmente e pegar uma doença, ou de ser compulsivo por comida ou compras, ou na pior das situações, entrar nos vícios das drogas como o álcool, maconha, cocaína e outros. O curioso é que a impulsividade varia de paciente para paciente, alguns tem excessos em tudo, outros em apenas uma esfera (por exemplo, só se descontrolam nas compras). O descontrole na sexualidade não é tão comum, e nem sempre o excesso de sexualidade se traduz em promiscuidade, alguns pacientes ou se masturbam com freqüência, ou procuram pornografia, ou procuram o seu parceiro várias vezes ao dia. Os excessos sexuais e os excessos nas compras geralmente melhoram bem e rápido com as medicações, o mesmo não ocorrendo com as drogas e o álcool. Por serem drogas, eles acabam criando um segundo problema, a dependência, que precisará de um tratamento específico e mais complicado. Cerca de 60% dos pacientes bipolares passam por problemas com drogas.


E o que os familiares, amigos e colegas costumam fazer diante de um paciente impulsivo? Aconselhar, o que quase sempre não dá certo, e depois criticar, como se a falta de controle fosse uma responsabilidade do paciente. Neste caso, o mais importante seria tentar ajudar o paciente a aceitar ajuda profissional adequada, desmistificando a doença mental como algo vergonhoso e estigmatizante, e ajudá-lo a continuar no tratamento, que é muito difícil e longo, com muitas tentativas, trocas de medicações e recaídas. Um ponto importantíssimo em relação ao tratamento: as medicações são a forma mais poderosa, eficaz e segura de controlar o TBH. Tratamentos alternativos e religiosidade podem ajudar, mas nunca substituem um tratamento cientificamente comprovado.

 

sábado, 18 de maio de 2013

Pesquisas e Testes Para Transtorno Bipolar





Medicação Experimental

Algumas pessoas com distúrbios bipolares resistentes a tratamento experienciaram o alívio dos sintomas de depressão num espaço de quarenta minutos após lhes ser ministrada uma dose intravenosa de cetamina, num estudo preliminar; embora este tenha sido um grupo de pacientes pequeno, o estudo contribui para um conjunto de indícios que sugerem que os compostos pertencentes à classe da cetamina encerram algum potencial enquanto medicamentos rápidos e eficazes contra a depressão. A probabilidade de manifestação de efeitos secundários torna a cetamina impraticável enquanto medicamento regular, mas oferece uma nova abordagem para testes, que pode vir a permitir o desenvolvimento de tratamentos novos e com um tipo de acção muito mais rápido do que os medicamentos utilizados atualmente.


O Distúrbio Bipolar é uma doença potencialmente debilitante caracterizada por alterações de humor, energia e comportamento muito bruscas. Existe uma alternância entre episódios depressivos e fases maníacas, mas os episódios depressivos tendem a ser mais frequentes e mais longos, sendo este tipo de depressão muito difícil de tratar. O distúrbio bipolar é normalmente tratado com medicamentos estabilizantes como o lítio, o valproato, a carbamazepina e outros, com o intuito de prevenir estes episódios de alteração de humor. São normalmente utilizados medicamentos antidepressivos em conjunto com os estabilizadores de episódios depressivos, mas os antidepressivos demoram algumas semanas até surtirem efeito e muitos dos pacientes não respondem à medicação da melhor forma.

Estudos


Alguns estudos desenvolvidos sugerem que a interrupção da sinalização estabelecida entre os neurónios ligados ao neurotransmissor glutamato pode estar ligada a casos de depressão. A administração de medicamentos analgésicos, como a cetamina, desliga uma das classes de receptores do glutamato (os receptores NMDA). Num espaço de 40 minutos, 9 dos 16 (56 %) pacientes que receberam cetamina revelaram uma redução de pelo menos 50% dos sintomas, e 2 em 16 (13 %) ficaram praticamente sem sintomas. Pelo contrário, nenhum dos pacientes que recebeu o placebo registou qualquer declínio dos sintomas na ordem de magnitude observada com a cetamina durante os três primeiros dias.


Neste estudo, desenvolvido pelos cientistas Nancy Diazgranados, Carlos Zarate, Jr., e colegas no Experimental Therapeutics & Pathophysiology Branch do programa interno de investigação do NIMH, uma única dose intravenosa de cetamina aliviou a depressão em pacientes com DB extremamente resistentes a tratamentos, e em mais de metade deles o efeito ocorreu passados apenas 40 minutos. Este estudo reforça um estudo anterior desenvolvido pelo mesmo grupo, onde também foi registado um efeito antidepressivo muito rápido em pacientes com depressão profunda (unipolar) e resistente a tratamentos (comunicado de imprensa do NIMH, 7 de Agosto de 2006). Os autores referem que a rápida resposta antidepressiva observada nestes dois distúrbios diferentes (depressão profunda e distúrbio bipolar) sublinha a importância do receptor NMDA para o desenvolvimento de tratamentos de ação rápida.

O estudo contribui para conjunto de indícios que sugerem o potencial de medicamentos que visam o sistema do glutamato no alívio rápido da depressão, mesmo nos casos em que as pessoas são respondem a outros tipos de tratamentos disponíveis. O tratamento rápido e eficaz da depressão é uma necessidade urgente em termos de saúde pública. O DB pode ser debilitante – quase todos os pacientes que participaram neste estudo estavam desempregados devido à gravidade da doença. O DB é um dos distúrbios psiquiátricos que apresenta mais riscos de suicídio.
Os estudos em curso procuram desenvolver medicações que visam o NMDA e que sejam praticáveis em termos clínicos e a estudar a utilização desta classe de medicamentos na manutenção a longo-prazo de um efeito antidepressivo, tal como foi observado neste estudo.


domingo, 21 de abril de 2013

Avaliação sobre o Transtorno Afetivo Bipolar



Avaliação


Pesssoal encontrei um site muito interessante que possui algumas perguntas para avaliar se você é realmente Bipolar. Já de antemão aviso que é somente um teste e não substitui de maneira alguma a avaliação de um psiquiatra. Vou deixar aqui o link do site para quem se interessar em fazer Avaliação sobre TAB.



sábado, 20 de abril de 2013

Lítio e a Doença Bipolar







Apresentação


Este texto destina-se principalmente às pessoas que estão a ser tratadas com LÍTIO, aos que possam vir a necessitar desse tratamento, aos seus familiares e amigos. Mas, certamente, a informação científica que contém será muito útil para os médicos e outros técnicos de saúde, na área da psiquiatria e da medicina em geral.
Um medicamento comprovadamente eficaz na prevenção de uma doença psíquica recorrente, caracterizada pela repetição de crises depressivas com grande sofrimento e risco, e de crises eufóricas, que podem ser seriamente comprometedoras para as pessoas atingidas, é uma arma terapêutica de primeira linha, quando bem utilizada. Ora, está provado que, de um modo geral, a educação do paciente e dos familiares é uma condição essencial para uma boa prática médica, garantindo uma consciente adesão ao tratamento e os necessários cuidados a ter.
O rótulo de “doença mental”, como algo estranho, essencialmente negativo e diferente das outras doenças, ainda pesa, e de que maneira, na opinião de muita gente, mesmo dos instruídos em outras matérias. Desmistificar preconceitos enraizados, exige uma psiquiatria exercida com maior eficácia, impossível sem uma consciência esclarecida dos cidadãos doentes, dos familiares e amigos e de todos os que se interessam pelo ser humano em crise, num espírito de salutar optimismo científico humanista.
O que é o lítio? Como é que é usado no tratamento da doença Bipolar? Como se inicia e prossegue a terapêutica? Quais os efeitos colaterais que podem ocorrer e como resolvê-los? O leitor encontrará as respostas neste texto, cuja função é educar para a saúde numa perspectiva médica global.


O que é o Lítio



O lítio é um elemento simples que se encontra na natureza.
Visto existir, no seu estado normal, em pequenas quantidades na comida e na água, o lítio encontra-se no corpo humano. Estes vestígios, contudo, não têm expressão. Algumas rochas têm um alto teor de lítio e são estas as fontes de quase todo o lítio utilizado na indústria e na medicina.
Não obstante as propriedades do lítio serem conhecidas há mais de uma centena de anos, a sua utilização na medicina moderna apenas começou em 1949. Quando utilizado como medicamento, o lítio é tomado por via oral em forma de comprimidos ou cápsulas e, por vezes, em xarope. É comercializado quer na sua forma «standard», quer como preparado de «libertação controlada». Em ambos os casos necessita de receita médica.
Em PORTUGAL, os comprimidos de PRIADEL (nome comercial), contêm 400 miligramas de lítio sobre a forma de carbonato, havendo, no entanto, preparados com 300 miligramas, em cápsulas hospitalares.


Para que o Lítio é Utilizado



O lítio é eficaz no controle de algumas doenças mentais e estados emocionais caracterizados por grandes e frequentes alterações de humor, muito incapacitantes. Tais perturbações são conhecidas em linguagem médica como Doença Bipolar, Doença Bipolar ou Perturbação do Humor Bipolar. A maioria das pessoas afectadas pela perturbação Bipolar sofrem de episódios recorrentes quer de Mania, quer de Depressão.
Em alguns casos, pode acontecer apenas uma crise ou algumas e nunca mais se repetirem. As pessoas que sofrem apenas de crises periódicas de mania (sem depressão), são consideradas também como Bipolares.
Aqueles que experimentam apenas crises episódicas de depressão, têm contudo, uma doença designada por Depressão Major ou Perturbação Unipolar, a qual se distingue da perturbação Bipolar.
A Mania caracteriza-se pela mudança de humor do estado normal para um estado extremo de hiperAtividade e frequentemente acompanhado de sentimentos de elevação, grandeza e euforia—um estado descrito como estar-se no «topo do mundo». Durante um episódio maníaco pode-se dormir muito pouco, falar muito, rápida e continuadamente, gastar pouco tempo com as refeições, mostrar marcada irascibilidade e impaciência e terem-se pensamentos rápidos, precipitados.
Muitas vezes o estado maníaco evolui até ao ponto em que o bom senso diminui e o contacto com a realidade se perde.
Pode tornar-se difícil compreender o que uma pessoa está a dizer. Por vezes, decisões tomadas precipitadamente resultam de impulsos, e levam a esbanjamentos financeiros, excessos sociais ou profissionais, com consequências legais que podem envolver não só o próprio mas a sua família e, porventura, os outros. A hospitalização pode ser necessária nestes casos.
A depressão é um estado em que o humor muda até ao ponto de se ficar muito em baixo, acabrunhado, sem ânimo, desesperado. Verificam-se alterações no sono, falta de apetite, perda de interesse sexual, falta de energias, excesso de preocupações, perda de interesse pelas coisas, impossibilidade em conseguir prazer e dificuldades respeitantes à concentração e à memória. O cumprimento de tarefas diárias, tais como ir para o trabalho, tornam-se difíceis ou impossíveis. Pessoas em estado de depressão, muitas vezes pensam no suicídio e, por vezes, suicidam-se. A hospitalização poderá ser necessária.
Tendo em consideração o que acima se diz, deve-se entender bem claramente, que a mania e a depressão são transtornos clínicos graves e não se devem confundir com as normais variações do humor, tais como estar-se com «boa ou má disposição», situações que a todos ocorrem normalmente, de tempos a tempos.
Não obstante ser o lítio utilizado principalmente no tratamento de doença Bipolar, os investigadores continuam a estudar novas utilizações para o medicamento. Mostra-se uma promessa para o tratamento de uma diversidade de doenças, incluindo situações de depressão não associadas com a doença Bipolar.





quinta-feira, 11 de abril de 2013

Transtorno Bipolar na Infância






Doenças Mentais e Suas Peculiaridades na Infância

A infância é uma época estratégica da vida do ser humano. É quando se dá um grande desenvolvimento físico, psicológico e mental, concomitantemente ao aprendizado básico indispensável para todos os que se seguirão por toda vida.
A relevância da observação dos comportamentos e aquisições intelectuais da criança e do adolescente feita por pais e professores é imensa, mas não substitui uma avaliação médica e de especialistas em diferentes áreas, quando estes comportamentos fogem da freqüência e intensidade usuais.
Até alguns anos atrás, poucas eram as doenças mentais reconhecíveis na infância. Com o aumento das pesquisas e o incremento de estudos científicos, os diagnósticos de vários transtornos psiquiátricos em crianças e adolescentes tornaram-se possíveis e decorrentes dessa nova condição. Aparentemente, os casos se multiplicaram numericamente e se fizeram mais conhecidos pela população em geral.
Entre esses, o Transtorno do Déficit da Atenção, com ou sem hiperatividade (TDA/H) e o Transtorno do Humor Bipolar (THB) têm sido objeto de muitos estudos em vários países, pois ocasionam forte impacto sobre a vida escolar, pessoal, familiar e mais tarde profissional do paciente, especialmente quando não devidamente diagnosticados e tratados por equipes de profissionais especializados.

Prejuizos


Os prejuízos decorrentes da falta de diagnóstico e do acompanhamento médico e psicopedagógico vão do fracasso escolar à evasão, da baixa auto-estima à depressão, da rejeição do grupo ao isolamento, às drogas, à gravidez precoce, à promiscuidade sexual e marginalização, entre outras.

Sintomatologia

 
O Transtorno de Humor Bipolar em crianças é outro exemplo de doença psiquiátrica que exige seriedade no encaminhamento, pois, nessa faixa etária, a sua sintomatologia pode se apresentar de forma atípica.
Assim, ao invés da euforia seguida da depressão dos adultos, nas crianças surge a agressividade gratuita seguida de períodos de depressão. Nestas, o curso do Transtorno é também mais crônico do que episódico e sintomas mistos com depressão seguida de “tempestades afetivas”, são comuns. Além disso, a mudança é rápida e pode acontecer várias vezes dentro de um mesmo dia, como por exemplo: alterações bruscas de humor (de muito contente a muito irritado ou agressivo); notável troca dos seus padrões usuais de sono ou apetite; excesso de energia seguida de grande fadiga e falta de concentração. Esses são alguns sintomas que devem ser observados.

Diagnóstico


Os diagnósticos de transtornos da saúde mental são difíceis mesmo para os especialistas, pois é alta a prevalência de comorbidades, ou seja, o aparecimento de dois transtornos simultaneamente, o que exige conhecimento, experiência e observação minuciosa do médico e da equipe envolvida, como psicólogos e psicopedagogos.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Quatro Pontos Importantes no Tratamento do Bipolar





Comparação

Para um tratamento eficaz do transtorno afetivo bipolar do humor nós precisamos levar em consideração 4 pontos fundamentais: medicação + terapia + psicoeducação + apoio de familiares e/ou amigos.


Imagine uma mesa de bilhar... Ela tem 4 pés, e se tivesse apenas 3 ou 2 certamente cairia... Nesse sentido eu creio que para que possamos atingir certa estabilização na bipolaridade, nós precisamos dos 4 pontos que menciono. Precisamos de uma mesa de bilhar estável em outras palavras.
Uma mesa de bilhar, porque ainda que os 4 pontos - os 4 pés - estejam presentes, nós ainda precisaremos vez ou outra "encaçapar" algumas bolas. Pode ser que mesmo fazendo tudo certo, possamos encontrar uma dificuldade ou outra. O fato é que com uma mesa bem apoiada e com certo treino e persistência podemos perfeitamente ganhar em qualidade de vida! Isso é possível sim!
 
 

Pontos Importantes no Tratamento 

 

1-Medicamentoso : 

 

Transtorno bipolar é uma doença para a vida inteira e que necessita que o paciente tome as medicações constantemente. A medicação é importante não só para regular o humor do paciente bipolar, mas também de proteger o cérebro contra “ neuro-degeneração” e/ou migração de um estado de humor do tipo 1 para o tipo2, por exemplo.

 

 2-Terapia :

 

O segundo pé de nossa mesa é a “terapia”, que pode ser do tipo cognitivo-comportamental ou análise. A terapia é importante porque é através dela que o bipolar irá reconhecer mais facilmente os “gatilhos” das crises, e irá aperfeiçoar seu comportamento diante de eventos estressores etc. Nesse sentido eu costumo dizer que as medicações dão o “carro” para o bipolar se deslocar rumo à estabilização, mas, quem provê a gasolina é justamente a “terapia”.

 

3-Psicoeducação:

 

O aprendizado sobre a doença bipolar é fundamental para que possamos entender os aspectos da doença. Com isso nos tornamos pacientes mais conscientizados e podemos enfrentar os momentos de instabilidade de maneira mais segura. Aqui no Bipolar Brasil e em outros sites da internet é possível aprender mais detalhes da bipolaridade. A grande vantagem de aprender sobre a doença é de ampliar o diálogo junto ao médico que nos atende.

 

4-Apoio Familiar:

 

O quarto pé da mesa e talvez o mais importante. Não adianta muito todos os esforços do paciente bipolar se esse paciente não recebe apoio dos parentes e amigos. Eu creio que uma maneira de fazer com que os cuidadores dos bipolares deem esse apoio é através do aprendizado diário. É importante – se possível – que tanto o bipolar quanto os cuidadores participem de reuniões de grupo e/ou terapia em grupo, e que discutam entre si as particularidades da doença etc. Os cuidadores podem e devem ajudar o bipolar a identificar quando alguns sinais pródromos estão presentes, anunciando que uma crise pode chegar. O diálogo sobre como o bipolar está se sentindo pode e faz toda a diferença!

 
 
 

terça-feira, 9 de abril de 2013

O Transtorno bipolar na mulher.





Bipolaridade no Sexo Feminino


Diferenças sexuais, descritas em vários transtornos psiquiátricos, também parecem estar presentes no transtorno afetivo bipolar (TAB). A prevalência do TAB tipo I se distribui igualmente entre mulheres e homens. Mulheres parecem estar sujeitas a um risco maior de ciclagem rápida e mania mista, condições que fariam do TAB um transtorno com curso mais prejudicial no sexo feminino. Uma diátese depressiva mais marcante, uso excessivo de antidepressivos e diferenças hormonais surgem como hipóteses para explicar essas diferenças fenomenológicas, apesar das quais, mulheres e homens parecem responder igualmente ao tratamento medicamentoso. A indicação de anticonvulsivantes como primeira escolha em mulheres é controversa, a não ser para o tratamento da mania mista e, talvez, da ciclagem rápida. O tratamento do TAB na gravidez deve levar em conta tanto os riscos de exposição aos medicamentos quanto à doença materna. A profilaxia do TAB no puerpério está fortemente indicada em decorrência do grande risco de recorrência da doença nesse período. Embora, de modo geral, as medicações psicotrópicas estejam contra-indicadas durante a amamentação, entre os estabilizadores do humor, a carbamazepina e o valproato são mais seguros do que o lítio. Mais estudos são necessários para a confirmação das diferenças de curso do TAB entre mulheres e homens e a investigação de possíveis diferenças na efetividade dos tratamentos. 


Depoimento de uma mulher Bipolar 


O problema é o excesso está presente em tudo o que diz respeito ao bipolar, na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, não simplesmente somos, mas quando somos, somos em demasia, ou comemos demais, ou bebemos demais, ou amamos demais, ficamos felizes demais, tristes demais, nos falta o equilíbrio e por ele brigamos tanto, nessa árdua guerra chamada vida, pra nós cada dia vivido é uma batalha vencida e nunca sabemos quando será no dia seguinte.Mas o que me levou a escrever este post foi exatamente para contar, que a minha salvação, sempre esteve nos excessos das minhas paixões, elas sempre me salvaram e me fizeram permanecer viva. Já na junventude quando aos primeiros sintomas me levavam a oscilações constantes, só a paixão me mantinha viva, era algo maior que eu, falo da paixão, aquela de se apaixonar mesmo, no meu caso a primeira paixão foi aos 16 e amei esse garoto até os 19, e desde então amor e paixão tem sido meu combustível de vida, ou seja,  a única coisa que pode me salvar é a paixão, o estar apaixonada, o frio na barriga, sem esse sentimento me sinto morta, esse é o meu melhor remédio o meu antidepressivo.Mas a paixão um dia acaba, a gente se casa, o amor às vezes vira amizade e tento aprender a conviver com a mesmice dos sentimentos, pra mim é mto difícil pq amar é parte da vida!






segunda-feira, 8 de abril de 2013

Transtorno Bipolar ,será que podemos nos curar?





Transtorno bipolar tem cura?


 Infelizmente não! E não tem porque é uma doença crônica (doença crônica em medicina quer dizer que é para vida inteira). Isso é o mesmo que dizer que transtorno bipolar não tem cura, assim, como outras doenças crônicas, como exemplo, diabetes, algumas doenças reumáticas e por aí vai... Embora transtorno bipolar do humor não tenha cura é uma doença que tem "controle", e, talvez dentre as doenças crônicas mentais é a que apresente o maior número de "ferramentas" para que isso aconteça com êxito. 
Há cerca de 20 anos nós não tínhamos muitas escolhas (quer dizer os médicos e profissionais de saúde mental, não tinham tantas opções para tratamento...), hoje o quadro é diferente. E será ainda mais nos próximos anos. Se eu indago: - "transtorno bipolar tem cura"? E a resposta é radicalmente um "não", talvez, eu repensarei isso brevemente. Isso porque definitivamente eu sou muito "otimista"! Claramente eu acredito que se a indústria farmacêutica não dificultar nenhuma pesquisa na área de terapias genéticas e estudos em nanotecnologia (por exemplo), eu não tenho menor dúvida que nós chegaremos a cura! 

Fato é que estamos avançando, e, se não temos a cura para o transtorno bipolar do humor para anunciar  ao menos, eu estou certo que estamos vivenciando um momento que bipolares de décadas passadas não viveram. As medicações que estão presentes nos dias atuais são extremamente interessantes para o tratamento, os antidepressivos, por exemplo, são modernos ao ponto (se bem utilizados) não induzirem "viradas maníacas" tão facilmente como antes. Estabilizadores de humor, eficazes, já estão no mercado (e estão para chegar alguns mais eficazes ainda). Tudo aponta que nós bipolares temos a disposição "possibilidades" e "esperança" de irmos em frente! E se temos, que façamos uso disso, que possamos descobrir o que "funciona" conosco e vamos em frente.

Depoimento de um Bipolar






Tenho medo de enlouquecer.



Ontem surtei com a minha mãe. Ninguém segura a gente em um momento de agressividade.
Fico muito irritado, alucinado mesmo, quando me perguntam: “Tudo bem?”. Sinto vontade de matar a pessoa! Fico com as minhas mãos coçando para grudar em seu pescoço e estrangulá-la!
Fico olhando para os outros e sentindo uma vontade louca de matá-los, de espancar a todos que estão na minha frente. Acho que sou perigoso às pessoas; tenho medo de fazer mal a elas.
Não suporto e não confio na minha mãe e nem no meu pai. Tenho raiva da minha ex-mulher, da minha filha, dos membros da igreja que freqüentava... Não suporto falar com quase ninguém, exceto algumas poucas pessoas. A única pessoa com quem me dou bem é com minha irmã, que me dá carinho e atenção.
Sinto vontade de me suicidar constantemente, de beber até cair, ou até mesmo de me mudar para bem longe, onde ninguém me conheça, mas o médico sempre me diz que não é bom ficar sozinho.
Não tenho vontade de fazer nada; a doença mudou até meu organismo.
Em certos momentos sinto vontade de bater nas pessoas. Nem saio na rua para não ter problemas, então me tranco em casa e tento esquecer tudo.
Estou afastado pelo INSS há um ano, e fico muito chateado quando vou passar pela perícia. Todos lá acham que eu estou bem e querem me dar alta, mas eu me sinto imprestável! Então afastam-me por mais dois meses, e o que eu recebo é gasto com meu tratamento.
Tenho outros problemas de saúde, e acho uma humilhação ter que implorar auxilio-doença; somos muito humilhados lá.
Sinto vontade de sumir! Perdi minha esposa e minha filha por causa deste problema. Separei-me há dois anos, e pedi que elas fossem para a casa dos pais da minha ex-mulher em uma cidade que fica a 3 800 km, para protegê-las de mim. Temia que em uma crise pudesse ficar agressivo e acabar machucando a ela ou à minha filha. Elas não acreditam que eu tenho uma doença e acham que estou mentindo, que me escondo atrás disso para não trabalhar e para não estar casado, dizem que nunca fui homem o suficiente, etc.
Sinto-me triste, sozinho, muito carente, feio, inferior, sem nenhuma alegria... Não agüento mais isso! A bipolaridade e a enorme depressão que sinto tomam conta de mim e sinto que estou morrendo aos poucos. Às vezes tenho vontade de me cortar todo com facas.
Tenho medo de um dia vir a amar alguém, pois acho que não estou pronto para isso. Também ainda não encontrei alguém que goste de mim...
No momento faço uso de Lítio, Risperidona e Clorpromazina diariamente, mas ainda assim sinto-me muito mal.
Queria muito voltar à minha vida normal, mas sinto que não tem jeito.

*Depoimento de Anjo_Noturno (Homem de 35 anos, separado há dois anos, diagnosticado o TAB a um ano. Hoje reside sozinho no interior de São Paulo).

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Transtorno bipolar pode afetar relacionamento




 Conhecer os sintomas e incentivar o tratamento do parceiro podem salvar o relacionamento marcado por mudanças constantes de humor.


A bipolaridade atinge cerca de 1,5% da população e é muito comum que se pense que a sua incidência é maior nas mulheres. Contudo, de acordo com o psiquiatra Amaury Cantilino, o transtorno também atinge os homens. O problema, segundo o especialista, é que eles geralmente não procuram ajuda.
 — Muitos possuem problemas sérios e nem desconfiam que possam ter transtorno bipolar. Neste caso, uma coisa é certa: sem o tratamento adequado, a felicidade do casal fica comprometida — alerta o médico.
 A bipolaridade pode ser identificada através dos sintomas que influenciam o comportamento da pessoa. Ela pode ser de dois tipos: o primeiro apresenta toda a amplitude de variação do humor, da mania plena à depressão grave, e atinge igualmente a homens e mulheres. Já o tipo II, que é o mais prevalente, é mais frequente nas mulheres e apresenta a depressão como a fase mais predominante.
 Nos homens, os sintomas da mania são mais visíveis e isso torna a identificação mais fácil. De acordo com o psiquiatra, esta fase é marcada por excessos que podem atrapalhar o relacionamento.
 — O parceiro pode começar a gastar demais, por exemplo. Também poderá ficar irritado por motivos banais e até agressivo quando contrariado. Outra característica é a desinibição sexual, que pode ser tão intensa, fazendo com que o bipolar  corra o risco de trair a namorada ou esposa — diz.
O quadro depressivo também pode fazer parte do cotidiano dos homens e afetar o namoro, pois nessa fase a libido do homem pode diminuir.
 — Ele perde o interesse para diversas atividades, não sente mais prazer em estar com a parceira, ou pode ocorrer o oposto: ele ficar inseguro e tornar-se totalmente dependente. Talvez a fase depressiva do transtorno seja motivo maior para separação, pois nem todas as mulheres conseguem suportar essas situações — revela Cantilino.
Conforme o médico, a enfermidade tem tratamento e é fundamental que a mulher incentive o companheiro a procurar um médico. Os episódios do transtorno bipolar podem ser menos frequentes e menos graves quando o paciente é medicado adequadamente. Atualmente, existem no mercado opções capazes de reduzir os efeitos colaterais normalmente causados por este tipo de medicamento.
 — Apesar de todos os problemas, manter o relacionamento é possível. O transtorno não precisa ser motivo de separação. As pessoas que convivem com um bipolar precisam conhecer a doença e seus sintomas, tornando-se parceiros também no tratamento — finaliza.

Transtorno Afetivo Bipolar,pode ser herdada?



Herança Bipolar


Transtorno bipolar resultados de uma combinação de fatores, a interação da genética e estressores ambientais. Como muito de um papel que a hereditariedade tem no desenvolvimento desta doença mental?
As primeiras pesquisas sobre a genética do transtorno bipolar se baseou em estudos de gêmeos e exame dos padrões de herança entre os membros da família. Agora que o genoma humano foi decodificado, a ciência está cada vez mais perto de identificar todos os genes específicos envolvidos no desenvolvimento desse transtorno de humor.

Padrões de Herança de Transtorno Bipolar


Estudos da família de padrões de herança, bem como estudos de gêmeos e de adoção de pessoas com transtorno bipolar têm revelado que parentes de primeiro grau de indivíduos afetados têm um risco maior de desenvolver sintomas bipolares. Ainda assim, uma criança de um bipolar e um pai nonbipolar têm menos de 15% de chance de desenvolver a doença, embora essas chances possam aumentar se houver outras pessoas na família que têm um transtorno de humor.
Estudos de gémeos idênticos têm mostrado que se um gêmeo é bipolar, o outro tem pelo menos uma possibilidade de 85% de desenvolver a doença. Gêmeos certamente compartilham muitos dos mesmos fatores ambientais, bem como, tanto no útero e durante toda a infância, mas a experiência compartilhada, e não leva em conta a probabilidade extremamente alta de que os gêmeos geneticamente predispostos irá compartilhar o transtorno.
Por isso, é estabelecido que o transtorno bipolar tende a ocorrer em famílias. Mas agora, com o genoma humano mapeado, os cientistas estão começando a identificar os genes reais que estão ligadas à desordem.


 

Genética do Transtorno Bipolar


Dentro dos últimos anos, os investigadores identificaram vários genes que parecem estar associadas com a doença. Uma vez que um certo número de genes envolvidos no desenvolvimento de doença bipolar, os padrões de herança não são simples, como indicado pelo facto de que as crianças de um pai bipolar apresentam um risco relativamente baixo de desenvolver a doença. Todos aqueles que podem ter uma predisposição genética não necessariamente sempre acabam desenvolvendo sintomas bipolares.

O envolvimento de vários genes, sugere que uma variedade de problemas bioquímicos podem ocorrer em indivíduos que possuam uma predisposição genética para a doença bipolar, e que, talvez, o tipo específico e um número de anormalidades genéticas contribuem para a forma como a doença manifesta-se em um indivíduo.

Nossa compreensão de doenças genéticas explodiu desde a conclusão do Projeto Genoma Humano (HGP) em 2003 - Este projeto de 13 anos foi lançada em colaboração entre o Departamento de Energia dos EUA 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Bipolaridade e Comorbidades

 

 

Comorbidade


O termo "comorbidade" significa a presença de mais de um transtorno em um mesmo indivíduo num determinado período de tempo. A comorbidade do transtorno bipolar (TAB) com outros transtornos psiquiátricos é muito comum e se associa a um pior quadro e pior resposta ao tratamento.
Entre os transtornos psiquiátricos presentes na comorbidade com o transtorno bipolar, podemos ter:


  • Transtornos Ansiosos ou de Ansiedade
  • TOC ( Transtorno Obssessivo Compulsivo )
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
  • Transtornos do Controle de Impulsos
  • Transtornos Alimentares
  • Transtornos de Personalidade
  • Abuso ou dependência de Álcool e Substâncias

Em recente estudo sobre comorbidades em pacientes bipolares, feito em  2005 por Krishnan,  foi encontrado em 50% à 70% dos pacientes com transtorno bipolar algum tipo de comorbidade psiquiátrica.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Tipos de Bipolaridade





 Aceita-se a divisão do transtorno afetivo bipolar em dois tipos: 


O tipo I e o tipo II.


 O tipo I

 É a forma clássica em que o paciente apresenta os episódios de mania alternados com os depressivos. As fases maníacas não precisam necessariamente ser seguidas por fases depressivas, nem as depressivas por maníacas. Na prática observa-se muito mais uma tendência dos pacientes a fazerem várias crises de um tipo e poucas do outro, há pacientes bipolares que nunca fizeram fases depressivas e há deprimidos que só tiveram uma fase maníaca enquanto as depressivas foram numerosas.


 O tipo II 

 Caracteriza-se por não apresentar episódios de mania, mas de hipomania com depressão.
Outros tipos foram propostos por Akiskal, mas não ganharam ampla aceitação pela comunidade psiquiátrica. Akiskal enumerou seis tipos de distúrbios bipolares.